3096 dias - Natascha Kampusch


Este livro é contado por Natascha Kampusch, vítima de um sequestro que durou 8 anos. Só quatro anos depois de ter conseguido fugir, ela resolve contar por meio de um livro tudo que passou nos 3096 dias presa em um porão subterrâneo, que se tornou o seu cativeiro desde os 10 anos de idade. 
Eu nunca tinha ouvido falar do sequestro de Natascha que aconteceu no ano de 1998, talvez por eu ser muito nova, na época eu tinha quatro anos e meio. Quando vi o livro e li a sinopse fiquei muito curiosa pra saber a história, porque uma coisa é você ouvir a mídia conta-la pra você, outra muito diferente é ouvir toda a história contada pela própria vítima. 
Contei sobre o livro para minha família e contei também para meu namorado. Não tinha idéia que depois de alguns dias eu estaria lendo o livro e ele estaria em minhas mãos. Meu namorado, que é um anjo, comprou o livro pra mim e fez surpresa ainda. Não é lindo? Rs. 
Nunca imaginei que leria uma autobiografia e talvez por isso muitas pessoas tentam nem chegar perto de um livro com esse gênero. Porém, este livro me deixou muito curiosa, muito mesmo! E foi uma experiência incrível sentir um pouco do sentimento que Natascha sentiu nos anos presa, os anos de sua infância perdidos.



Natascha começa o livro contando como era sua convivência com seus pais. Os pais eram divorciados e ela morava com a mãe. Pela forma que ela contava a sua infância, pude perceber que a convivência com seus pais não era muito boa. Não que eles a maltratavam, não chega perto disso. Mas a mãe de Natascha não gostava de ver a filha chorando e quando esta chorava, mandava ela ser forte. Por esse motivo Natascha se sentia desprezada pelos próprios pais. Claro, se formos analisar a atitude da mãe na infância dela, isso pode ter ajudado a Natascha sobreviver a tão brutal violência que ela sofrera. Na época em que Natascha foi sequestrada, casos de sequestro eram muito frequentes. Ela assistia as notícias de meninas magras, loiras e de olhos azuis que eram sequestradas. Umas tinham sorte, eram encontradas vivas, porém essas eram poucas; a maioria ou era encontrada morta ou não era encontrada e dava-se como morta. Natascha comenta no livro que se sentia muito triste, mas não sentia medo, apesar das meninas terem a mesma faixa de idade dela. Ela diz que quando pequena era gorda e por isso não tinha medo, pois na sua cabeça os sequestradores tinham preferência por meninas magras. Mas Natascha estava errada.
Era o primeiro dia de aula, Natascha estava empolgada pois seria seu primeiro ano na escola que iria sozinha. Eram apenas 15 minutos de sua casa à escola, uma caminhada rápida, porém no meio do caminho foi surpreendida por um homem de aparência honesta. Natascha foi levada para a casa do sequestrador , onde este a manteve pressioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. 
Pude perceber que Wolfgang Priklopil - o sequestrador - se sentia sozinho e talvez por este motivo tenha resolvido sequestrar uma criança naquela época. Ele, engenheiro de telecomunicações, vivia sozinho e pelo que pude ver, através de pesquisas feitas os vizinhos nunca veriam Priklopil como uma ameaça. 
Na época, uma testemunha teria visto uma menina com a mesma roupa que Natascha teria ido para o colégio - vermelha - ter sido carregada por um homem até uma van branca. Essa pista levou a policia a procurar por toda a região por qualquer van branca. A policia chegou a ir até a casa do sequestrador, mas por depoimento dos policiais que estavam no caso, eles não encontram pistas para incriminar Priklopil. 
Acho que tudo isso, tem uma parte de culpa da policia, que deixou de lado o caso e não levou tão a sério como deveria e isso resultou em uma infância perdida. 
Enquanto lia as páginas desse livro, sentia muita pena da menina que estava a cada dia que passava perdendo os dias de sua infância. No começo não à entendia, quando ela descrevia cada mínimo detalhe, digo até que isso me encomodou um pouco no começo, pois eu queria conhecer a história dela e achava que detalhes não faziam diferença neste livro. Porém só mais tarde pude perceber, que cada detalhe era a lembrança que ela tinha.  
Hoje, posso dizer que não vejo Natascha como vítima, nem sinto pena dela. Natascha para mim é um exemplo de vida e somente com suas palavras pude perceber o quanto podemos ser fortes quando se trata de nossa sobrevivência. Imagine você dos 10 anos aos 18, presa sem poder ver a luz do dia, nem ouvir outras pessoas? Pense, o quanto essa menina foi forte e que não merece ser vista como vítima ou como algo frágil. 
Muitas pessoas e a própria mídia veem Natascha como vítima da Síndrome de Estocolmo:  "um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de sequestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do sequestrador". Poderia eu concordar, mas depois de ter lido o fato contado por Natascha, pude ver que é muito cruel dizer que ela sofre ou sofreu de algum tipo de doença psicológica. Veja bem, Natascha quando foi sequestrada era apenas uma criança, com 10 anos, a única pessoa que ela via e convivia era o sequestrador, para não sofrer tanto, ela tentou criar um vínculo com este homem e vê-lo como alguém da família, se não fosse isso talvez ela ainda estaria lá presa hoje ou talvez morta e consequentemente não estaria aqui para contar. Agora me diga, você acha que isso é uma síndrome? Algum tipo de doença? Querer viver e tentar se sentir livre é alguma doença? Se você ainda tem dúvidas leia este livro. Esta é a primeira vez que Natascha fala abertamente, depois de 4 anos de sua fuga. Ela nos conta o longo período no cativeiro, seu relacionamento com o sequestrador e como conseguiu fugir. 

19 comentários on "3096 dias - Natascha Kampusch"

Anna Medeiros on 18 de fevereiro de 2011 06:29 disse...

Adorei a resenha! Já estava curiosa quanto ao livro, agora estou ainda mais... como você mesmo disse, ouvir a história contada pela mídia é uma coisa, pela vítima é outra, o que faz o livro concerteza interessante. Parabéns pelo blog, estou seguindo.

Lys Fernanda on 18 de fevereiro de 2011 08:13 disse...

Ah vou baixar esse livro agora mesmo, *-*

Nanda Meireles on 18 de fevereiro de 2011 08:13 disse...

Hum... Eu também estava curiosa com esse livro. Devorei sua resenha! Mas só fiquei mais curiosa... rs

Você escreve muito bem ;-)

Bjs
www.fernandameireles.com

Ana Paula on 18 de fevereiro de 2011 11:27 disse...

adorei sua resenha, fiquei com mais vontade ainda de ler o livro *-*

Sam on 18 de fevereiro de 2011 11:29 disse...

Hey indiquei o seu Blog para responder um Meme... passa lá... up-book.blogspot.com

Bjoos

Clícia Godoy on 18 de fevereiro de 2011 15:22 disse...

Que bom saber que você gostou d livro. Fiquei com uma ponta de curiosidade para ler, mas depois da resenha, estou empolgada!
=D

Bjo
Clícia Godoy
http://silencioqueeutolendo.blogspot.com/

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:17 disse...

@Anna Medeiros Foi por este motivo que resolvi ler esse livro e me surpreendi demais! Que bom que gostou e obrigada pelo carinho e por estar seguindo o blog.

Beijos

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:19 disse...

@Lys Fernanda Não sei se isso é bom não. Por exemplo eu não conseguiria ler pelo computador. Mas se você está acostumada, tudo bem, rs. Boa leitura Lys!

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:28 disse...

@Nanda Meireles Acho que todos que acabam conhecendo o livro, acabam ficando curiosos. Bom, tem como não ficar? Rs. Nossa! Não esperava ouvir um elogio desses. Obrigada mesmo, é muito bom ler isso.
Beijos

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:29 disse...

@Ana Paula Obrigada! Realmente o livro merece ser lido. Natascha merece ser ouvida.

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:30 disse...

@Sam Vou dar uma olhada. Obrigada pela indicação!

Pam on 19 de fevereiro de 2011 04:31 disse...

@Clícia Godoy Eu adorei o livro, é uma experiência indescritível. Leia! Com certeza irá concordar comigo, claro isso se você não ter um coração de pedra, rsrs.
Beijos fofa :*

­Nanda on 20 de fevereiro de 2011 19:24 disse...

Adorei a sua resenha, ficou ótima e me deu água na boca, agora quero muito ler mesmo esse livro. Concordo com voc, era pura vontade de viver dela se voc passa 8 anos vendo só uma pessoa, porque não tentar se aproximar um pouco? Não que você vá amar essa pessoa, mas né... Só tem a ela! Não é nenhuma doença mesmo na minha opinião! rs
Adorei MESMO sua resenha, muito boa ^^

Beijos

Pam on 21 de fevereiro de 2011 05:54 disse...

@­Nanda Que bom que gostou. Muito obrigada! Quando você ler esse livro, vai perceber que a cada página Natascha quer mostrar isso para o leitor, que o que ela passou não é uma doença psicológica. Mas infelizmente muito gente que soube do caso pela mídia, tem um pensamento diferente dos que lerem e souberam o que realmente Natascha passou.
Obrigada.
Beijos

Marta on 22 de fevereiro de 2011 14:25 disse...

Deve ser muito bom!
Foge do meu estilo de livros, mas acho que vou ler esse!
A resenha está otima!

Beijos
Marta
http://aspalavrasfugiram.blogspot.com/

Pam on 22 de fevereiro de 2011 15:04 disse...

@Marta Autobiografia nunca foi meu gênero favorito também. Mas, este livro realmente me surpreendeu. Acho que todas as pessoas ficam curiosas com o que Natascha passou; e eu fui uma, por isso resolvi ler. Obrigada!
Beijos

Maria Leão da Rosa on 24 de fevereiro de 2011 05:14 disse...

Gostei dessa resenha, em particular, porém, um breve adendo: Incomodar é com "i" e não com "e" ;)

Muito louca a história dessa garota e, sim, ela foi absurdamente forte em seu desejo de continuar viva para suportar tudo o que suportou :O

тαмуℓαηє on 9 de março de 2011 03:58 disse...

Oie Pam!
Amei seu blog, já sigo ele há um tempinho e gostaria de saber: aceita parceria?
Dá uma passadinha no meu blog pra ver se topa! bjus
http://verbologiapink.blogspot.com/

Jaque on 5 de setembro de 2011 12:24 disse...

Eu tbem li o livro e adorei, realmente Natasha é um exemplo de força e perceverança.

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